Os prazeres e as amarguras da amamentação.

O leite materno é o melhor alimento do mundo! Disso ninguém tem dúvidas,mas ninguém fala que amamentar não é fácil!
Posso dizer que me preparei muito para o parto normal, que não aconteceu, mas deixei a amamentação um pouco de lado, na minha cabeça seria uma coisa normal que iria fluir naturalmente, meu bebê haveria de nascer sabendo mamar e teríamos aquele lindo momento de novela, ledo engano.


Samuel não mamou na primeira hora de vida, na verdade, não mamou direito nem quando veio pro quarto, ele não conseguia pegar o peito, eu não sabia como ensinar e ainda por cima tinha que amamentar deitada por conta da anestesia da cesária.

A enfermeira de plantão já tratou de dizer que a culpa era do meu peito e que eu deveria comprar um bico de silicone e que se ele não mamasse ela iria entrar com leite artificial, coisa que eu não iria deixar de modo algum! 

Óbvio que mandei trazerem um bico de silicone o mais rápido possível, mas por uma sorte do destino ninguém achou para comprar e a enfermeira do plantão mudou.

Ah que diferença!!! A nova enfermeira era um doce, me explicou tintim por tintim e me ajudou muito, disse nada de bico de silicone, você vai conseguir.

Samuel não mamava por 3 fatores:
Ele não sabia mamar ainda, apesar de saber sucar;
Meu bico era invertido o que dificultava a pega correta
Ele era preguiçoso demais, demaaais.

Ela me ensinou a pinçar meu peito com a mão de forma que ele pegasse toda a auréola do peito, assim ele conseguiria mamar e para acabar com a preguiça dele, deixávamos ele só de fralda.

E assim foi de 3/3h toda vez que ela voltava no quarto para me ajudar a amamenta-lo, mas o plantão sempre muda certo?! E com ele as enfermeiras.

E eu desmaiei de cansaço, perdi a hora da mamada e acordei umas 5h depois dele ter mamado pela última vez, óbvio que o índice glicêmico dele foi lá em baixo e obvio que a nova enfermeira do plantão quis dar complemento.

Ele mamou no meu peito, mas a glicemia não estabilizou, não teve jeito, tacaram uma xuquinha nele que para minha alegria ele não conseguiu mamar, mas a enfermeira era insistência e deu o leite artificial no copinho. Índice glicêmico normalizado é uma mãe arrasada! Se eu não era capaz de alimentar meu filho como eu iria cuidar dele com todo resto?!

Mais uma vez o IG dele baixou e quase não tivemos alta, mas fiz um intensivo de peito e voltou a regularizar, viemos pra casa!

Mesmo esquema que a enfermeira fada da amamentação tinha me ensinado, pinçar o peito para ajudar ele na pega e tirar toda roupa, era uma preguiça sem fim, além de tirar toda roupa tinha que acordar ele toda hora, ficava mais de 1h amamentando ele e dali há pouco já teria que repetir tudo outra vez.

Naquele mesma semana levei ele à pediatra e ela aconselhou a adotar a livre demanda, disse que era normal ele mamar uns 40minutos e que com a amamentação meu bico ia sendo feito.

Nos primeiros 10 dias foi super tranquilo, ele mamava de 3h/3h e eu conseguia dormir nesses intervalos, Santiago estava o tempo todo comigo, me dando suporte nas mamadas e tudo ia muito tranquilo, quando ele fez uma 15 Dias tudo mudou, ele desatou de mamar ensandecidamente, aquela história de 3/3h já era, entramos no ritmo livre demanda hard core, o menino ficava o dia todo pendurado no meu peito e nessa, a Índia aqui já estava sozinha em casa com ele, pois alguém tinha que trabalhar nessa casa.

Meus dias eram desesperadores, eu chegava à noite exausta, estafada, só querendo chorar, não conseguia suportar um choro dele, mas seguia firme no meu propósito de dar só leite materno, apesar de todo desgaste físico e mental, eu tinha lido tanto, seguia tantos grupos no facebook que pregavam a amamentação exclusiva, tinha mais meia dúzia de conhecidos dizendo ser um absurdo eu dar leite artificial para ele, não podia de jeito nenhum ser de outra forma, leite materno exclusivo e ponto.

Até que perto do Samuel completar 2 meses ele teve uma gastroenterite, foi uma semana punk, vômito, diarreia, enjoadinho, só queria colo, perdeu peso e ficou super abatido. 

A pediatra falou que se não ganhasse peso teríamos que entrar com complemento, e mandou eu voltar em uma semana, juro, o bebê nunca mamou tanto, era peitou dia todo e ainda acabei com meu estoque de leite congelado, graças à Deus ele recuperou tudo que perdeu e voltou a ganhar peso.

Mas logo logo eu iria voltar a trabalhar e não tinha como ficar nessa loucura de amamentação, comecei realmente a achar que meu leite não era o suficiente para a fome dele. Eu lia que peito não era estoque, era fábrica, mas quanto mais me recusava e me preocupava com dar ou não o leite artificial mais meu leite parecia diminuir. Espirrei ocitocina no nariz , tomei canjica, chá de não sei o que e nada.

Foi quando o Samuel já estava com 2 meses e meio que depois de conversar com muitas amigas que complementavam e davam de mama para seus bebês com quase 1 ano que fui me acostumando com a ideia de dar leite artificial, foi quando num sexta à noite depois de mamar muito ele desatou a chorar de fome eu desesperada deixei ele com o pai e corri na farmácia para comprar o tal leite, quando cheguei ele estava dormindo, como um anjo.

No dia seguinte resolvi que testaria o leite artificial, a noite depois de dar o peito dei 60ml de fórmula, e ele mamou a mamadeira toda e dormiu como um anjo. 

Se eu chorei?! Muita coisa, era muito difícil para mim admitir que só meu peito não era suficiente, mas ele não estava ganhando peso direito e a saúde dele estava acima de qualquer coisa. 

Por aqui seguimos com o peito firme e forte, em livre demanda e numa mamação eterna, mas também seguimos complementando à tarde, até porque já voltei a trabalhar, ele nunca recusou meu peito, o que era o meu maior medo e agora tenho mais leite pois além dos intervalos serem maiores entre as mamadas da tarde eu não fico mais tão cansada!

Tenho certeza que grande parte do meu sofrimento se deu por conta de tudo que eu li em livros e nos blogs e Pages da vida, e de tudo que eu ouvia das pessoas. As pessoas julgam sem saber da realidade de cada um, das necessidades de cada um.

Como já disse o leite materno é o melhor alimento do mundo e não existe leite fraco, mas nem todas as mães têm leite suficiente para a demanda do seu filho e muita gente se culpa por isso, eu me culpei muito, achava que tinha que ficar com ele pendurado no meu peito dia e noite que uma hora a produção de leite ia aumentar, mas não percebi como aquilo estava me fazendo mal. Foi libertador mudar, se esse também é o seu drama converse com seu pediatra, veja oque ele aconselha, e se liberte, pois bebê feliz é criado por mãe feliz!

Um comentário em “Os prazeres e as amarguras da amamentação.

  1. Thábata, passei por muita dificuldade no início tb… E realmente as pessoas só falam do lado bom da maternidade, as dificuldades a gente só descobre depois que tá com o pacotinho nos braços… Por aqui a orientação da pediatra e minha vontade de amamentar foram fundamentais, além disso eu tinha minha mãe o tempo é mesmo assim ficava exausta, tentei dar mamadeira (pelo menos à noite) e chupeta mas Heitor não pegou. Enfim, acredito que nós (mulheres e mães) devemos dar mais suporte umas às outras e julgarmos menos afinal de um jeito ou de outro estamos todas no mesmo barco rs. Sei que não somos muito próximas mas se precisar de alguma ajuda ou até mesmo desabafar pode chamar viu? Bj grande ❤❤

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